. . . que nasceu a minha princesa e hoje já foi para a primária. Deve ser por estas e por outras que já vou tendo uns branquinhos aqui nas “laterais”. Força minha filha e uma beijoca do pai.
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Parece que foi ontem
Impaciência
Tomo um banho, longo, para ver se o tempo passa mais depressa. Seco-me. Visto-me de preto – aquela roupa de que tanto gostas. Calço as botas também pretas – aquelas que tanto gosto. Amanho o cabelo. Já é de noite, ponho o casaco sobre os ombros e saio de casa a correr… “Até amanhã. Não esperem por mim!”
Aguardo, impacientemente, pelo autocarro que parece nunca mais chegar. Longos minutos depois estou à tua porta. Respiro fundo e toco à campainha. Entro e, enquanto ajeito o cabelo no espelho do elevador, imagino-te atrás da porta a arranjar a roupa enquanto te perguntas porque o fazes se sabes que não vai durar nem um minuto…
Saio do elevador, tu esperas-me à porta. Apenas distingo os contornos do teu corpo na penumbra. Chego-me mais perto… “Olá”, e aquele sorriso… Entramos para a sala. Passo os dedos no teu cabelo enquanto te beijo. Saudade. A minha mão no teu ombro, os meus lábios no teu pescoço. Fecho os olhos, devagar. A tua mão no meu colo. Leveza. Bocas que se aproximam, línguas que se querem. Os teus dentes a arranharem o meu pescoço. Olhos que imploram, corpos que não se largam, lábios que suspiram lentamente. E nunca temos tempo de chegar ao quarto. Esta nossa impaciência…
Tu
No outro dia tive vontade de pegar no teu braço e dizer-te o quanto te quero. Quis muito pegar em ti e levar-te até longe de tudo, onde pudesse ter-te só para mim. Ter-te daquele modo tão especial mas tão forçosamente necessário para o meu ser, para o meu eu, que é de te ter junto a mim. Tudo para que pudesse observar-te vezes sem conta, tudo para que os nossos cabelos esvoaçassem sem fim, dançassem até se tocarem ao sabor do teu/meu/nosso vento, transmitindo a vontade de ser eu/tu/nós e de repente transformar-mos tudo num só eu. Ou num só tu, ou num só nós e por seres tudo o que o vento me disse. Por seres tudo o que a manhã deseja, porque o sol quando nasce gosta de te ouvir cantar, tal como eu, mas só naquele sítio que eu e tu haveremos de encontrar. Naquele sítio onde estarás para sempre só comigo, onde os nossos cabelos se encontrarem e se fundirem num misto de sentimentos e emoções.
Desejo-te, quero-te, e quero-te assim, porque este sou eu, e é assim que eu sou.
Hoje é o dia
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E depois há dias em que a vontade de ti cresce em mim de uma forma quase incontornável. O querer percorrer o teu corpo com a ponta da minha lingua e invadir-te a boca num beijo. Querer delinear todas as curvas do teu corpo e deixar um rasto de paixão. Querer aquele abraço apertado e ficar com a sensação de que o mundo é perfeito e está em perfeita sintonia. Querer estar junto a ti como se fossemos um só. Há dias em que te quero muito. Imensso. Hoje é o dia.
Porque!
EU e TU
Isto de duas pessoas gostarem uma da outra será coincidência. Acontece a tantos. A probabilidade disso me acontecer parece-me sempre reduzida. Mas depois há estas concomitâncias engraçadas. Tipo tu e eu, ou tipo eu e tu, ou tipo nós. Se bem que nunca ninguém gosta da mesma forma, nem se gosta da mesma maneira das diferentes pessoas de quem se gosta. E isso dá-me toda a legitimidade de dizer que nunca gostei de ninguém como gosto de ti. Amo-te.





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